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Guia clínico

Causas da queda de cabelo: as 8 mais frequentes

A queda de cabelo raramente tem uma causa única. Na prática clínica, encontramos quase sempre um fator principal somado a dois ou três agravantes — e é essa combinação que o tratamento tem de resolver.

Pontos-chave

  • A genética explica a maioria dos casos, mas raramente atua sozinha

  • Défices de ferro e alterações da tiroide são causas frequentes e reversíveis

  • O efeito do stress na queda surge com 2 a 3 meses de atraso

1. Genética e hormonas (alopecia androgenética)

A causa mais comum. Folículos geneticamente sensíveis à DHT miniaturizam-se ciclo após ciclo. Reconhece-se pelo padrão: entradas e coroa no homem, alargamento da risca na mulher.

2. Carência de ferro e ferritina baixa

O folículo é uma das estruturas do corpo com maior taxa de divisão celular e é dos primeiros a sofrer com ferro baixo. Valores de ferritina abaixo de 30 a 40 ng/mL são frequentemente associados a queda difusa, mesmo sem anemia declarada, embora a evidência não seja consensual — daí a importância de interpretar a análise em contexto clínico.

3. Disfunção da tiroide

Tanto o hipotiroidismo como o hipertiroidismo alteram o ciclo capilar e provocam queda difusa, muitas vezes acompanhada de alteração da textura do fio. Corrigida a função tiroideia, o cabelo recupera ao longo de vários meses.

4. Stress, cirurgia, febre e parto

Qualquer choque fisiológico ou emocional pode empurrar uma grande proporção de folículos para a fase de repouso em simultâneo. A queda surge dois a três meses depois do acontecimento — daí a dificuldade em ligar causa e efeito. É reversível na maioria dos casos.

5. Medicação

Anticoagulantes, retinoides, anticonvulsivantes, alguns antidepressivos, beta-bloqueantes e quimioterapia estão entre os fármacos associados a queda. A suspensão ou substituição deve ser sempre discutida com o médico prescritor.

6. Dietas restritivas e perda de peso rápida

Défices de proteína, zinco, ferro e calorias comprometem o crescimento capilar (a carência de biotina, muito publicitada, é na prática rara). Perdas de peso superiores a 10% em poucos meses provocam frequentemente eflúvio telogénico.

7. Tração e agressão mecânica

Rabos-de-cavalo apertados, extensões, tranças e uso repetido de calor e químicos danificam o folículo. Se mantida durante anos, a alopecia de tração torna-se cicatricial e irreversível.

8. Doenças do couro cabeludo

Dermatite seborreica, psoríase, líquen plano pilar e foliculite provocam inflamação que interfere com o folículo. As alopecias cicatriciais exigem diagnóstico rápido, porque a perda folicular que causam é definitiva.

Perguntas frequentes

Como sei qual é a minha causa?
Pelo padrão da queda, pela história clínica e por análises. A tricoscopia distingue miniaturização androgenética de queda difusa e de sinais de alopecia cicatricial.
A falta de ferro faz cair o cabelo mesmo sem anemia?
Sim. A ferritina pode estar baixa com hemoglobina normal e ainda assim comprometer o ciclo capilar.
Quanto tempo depois do stress cai o cabelo?
Tipicamente 2 a 3 meses depois do evento, porque os folículos passam por uma fase de repouso antes de libertarem o fio.
Se corrigir a causa o cabelo volta?
Nas causas reversíveis, sim — a recuperação demora habitualmente entre 6 e 12 meses. Na alopecia androgenética a progressão trava-se, mas exige tratamento continuado.

Avaliação com a Dra. Fátima Garcês

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