O que é a alopecia
Perder entre 50 e 100 cabelos por dia é fisiológico — faz parte do ciclo natural do folículo. Fala-se em alopecia quando essa perda ultrapassa a capacidade de reposição e se traduz numa redução visível de densidade, num alargamento da risca ou no aparecimento de zonas sem cabelo.
O ponto crítico é o estado do folículo. Enquanto o folículo está vivo, ainda que miniaturizado, existe margem para reverter. Quando é substituído por tecido fibroso, a perda é definitiva e só o transplante capilar repõe cabelo nessa zona.
Principais tipos de alopecia
Distinguem-se essencialmente entre alopecias não cicatriciais, em que o folículo se mantém, e cicatriciais, em que é destruído.
- Alopecia androgenética — a mais comum; de origem hormonal e genética, provoca miniaturização progressiva nas entradas e coroa
- Alopecia areata — doença autoimune que causa placas redondas sem cabelo, de instalação súbita
- Eflúvio telogénico — queda difusa após stress, parto, cirurgia, febre ou carência nutricional; habitualmente reversível
- Alopecia de tração — provocada por penteados que puxam o cabelo de forma continuada
- Alopecias cicatriciais — líquen plano pilar, foliculite decalvante e outras; exigem tratamento urgente para travar a destruição folicular
Causas mais frequentes
A predisposição genética explica a maioria dos casos, mas raramente atua sozinha. Alterações hormonais (androgénios, tiroide, pós-parto, menopausa), carências de ferro, vitamina D ou proteína, doenças autoimunes, medicação e períodos de stress prolongado são fatores que aceleram ou desencadeiam o processo.
Por essa razão, a avaliação inicial inclui frequentemente análises: tratar apenas o couro cabeludo quando a causa é sistémica não resolve o problema.
Como se trata
O tratamento depende do tipo e da fase. Em quadros iniciais e intermédios, a abordagem médica — mesoterapia capilar, PRP, terapêutica tópica ou oral e fotobiomodulação — trava a progressão e densifica. Em zonas já sem folículo viável, o transplante capilar FUE é a única forma de repor cabelo.
Na maioria dos casos combinam-se as duas vias: cirurgia para repor a zona perdida, tratamento médico para proteger o cabelo nativo que resta.
Como se faz o diagnóstico
O diagnóstico da alopecia começa pela história clínica: há quanto tempo dura a queda, se é difusa ou localizada, se existem antecedentes familiares, doenças associadas, medicação ou episódios de stress, parto ou perda de peso nos meses anteriores.
Segue-se a tricoscopia — observação ampliada do couro cabeludo — que permite ver diretamente sinais que o olho não distingue: miniaturização dos fios, pontos amarelos ou pretos típicos da areata, perda de óstios foliculares nas alopecias cicatriciais e sinais de inflamação.
- Tricoscopia digital com fotografia clínica padronizada
- Análises: hemograma, ferritina, função tiroideia, vitamina D, zinco e, na mulher, perfil hormonal
- Teste de tração para avaliar a fase ativa da queda
- Biópsia do couro cabeludo apenas quando há suspeita de alopecia cicatricial
Alopecia na mulher: o que muda
Na mulher, a alopecia androgenética raramente causa zonas totalmente calvas: manifesta-se pelo alargamento progressivo da risca central e por uma perda de densidade difusa no topo da cabeça, mantendo a linha frontal. É frequentemente confundida com eflúvio telogénico, e as duas condições coexistem muitas vezes.
Períodos de maior vulnerabilidade são o pós-parto, a perimenopausa e a menopausa, além de situações de ovário poliquístico, disfunção tiroideia ou carência de ferro. Por isso, na mulher, a avaliação analítica é praticamente sempre parte do diagnóstico.
O que esperar do tratamento ao longo do tempo
O cabelo responde devagar porque o folículo tem um ciclo longo. Nos primeiros dois a três meses o objetivo é travar a queda; a densificação visível surge entre os 4 e os 8 meses e o resultado consolidado avalia-se aos 12 meses.
É comum haver um aumento transitório da queda nas primeiras semanas de alguns tratamentos — sinal de que folículos em repouso estão a ser sincronizados para uma nova fase de crescimento, não de agravamento.
Na Replace Clinic o plano tem um horizonte de 18 meses, com reavaliações fotográficas comparáveis em vez de impressões subjetivas.