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Guia clínico

Alopecia: o que é, tipos, causas e tratamento

Alopecia é o termo médico para a perda de cabelo, seja ela localizada ou difusa, temporária ou definitiva. Não é uma doença única: é o sinal comum a dezenas de condições diferentes, e identificar qual delas está em causa é o que determina o tratamento correto.

Revisão clínica: Dra. Fátima Garcês, diretora clínica da Replace Clinic — mais de 19 anos dedicados ao restauro capilar.

Pontos-chave

  • A alopecia androgenética afeta cerca de 50% dos homens até aos 50 anos e cerca de 40% das mulheres até aos 70 anos

  • A maioria dos casos é tratável quando identificada cedo

  • O diagnóstico correto exige avaliação do couro cabeludo, não apenas do fio

O que é a alopecia

Perder entre 50 e 100 cabelos por dia é fisiológico — faz parte do ciclo natural do folículo. Fala-se em alopecia quando essa perda ultrapassa a capacidade de reposição e se traduz numa redução visível de densidade, num alargamento da risca ou no aparecimento de zonas sem cabelo.

O ponto crítico é o estado do folículo. Enquanto o folículo está vivo, ainda que miniaturizado, existe margem para reverter. Quando é substituído por tecido fibroso, a perda é definitiva e só o transplante capilar repõe cabelo nessa zona.

Principais tipos de alopecia

Distinguem-se essencialmente entre alopecias não cicatriciais, em que o folículo se mantém, e cicatriciais, em que é destruído.

  • Alopecia androgenética — a mais comum; de origem hormonal e genética, provoca miniaturização progressiva nas entradas e coroa
  • Alopecia areata — doença autoimune que causa placas redondas sem cabelo, de instalação súbita
  • Eflúvio telogénico — queda difusa após stress, parto, cirurgia, febre ou carência nutricional; habitualmente reversível
  • Alopecia de tração — provocada por penteados que puxam o cabelo de forma continuada
  • Alopecias cicatriciais — líquen plano pilar, foliculite decalvante e outras; exigem tratamento urgente para travar a destruição folicular

Causas mais frequentes

A predisposição genética explica a maioria dos casos, mas raramente atua sozinha. Alterações hormonais (androgénios, tiroide, pós-parto, menopausa), carências de ferro, vitamina D ou proteína, doenças autoimunes, medicação e períodos de stress prolongado são fatores que aceleram ou desencadeiam o processo.

Por essa razão, a avaliação inicial inclui frequentemente análises: tratar apenas o couro cabeludo quando a causa é sistémica não resolve o problema.

Como se trata

O tratamento depende do tipo e da fase. Em quadros iniciais e intermédios, a abordagem médica — mesoterapia capilar, PRP, terapêutica tópica ou oral e fotobiomodulação — trava a progressão e densifica. Em zonas já sem folículo viável, o transplante capilar FUE é a única forma de repor cabelo.

Na maioria dos casos combinam-se as duas vias: cirurgia para repor a zona perdida, tratamento médico para proteger o cabelo nativo que resta.

Como se faz o diagnóstico

O diagnóstico da alopecia começa pela história clínica: há quanto tempo dura a queda, se é difusa ou localizada, se existem antecedentes familiares, doenças associadas, medicação ou episódios de stress, parto ou perda de peso nos meses anteriores.

Segue-se a tricoscopia — observação ampliada do couro cabeludo — que permite ver diretamente sinais que o olho não distingue: miniaturização dos fios, pontos amarelos ou pretos típicos da areata, perda de óstios foliculares nas alopecias cicatriciais e sinais de inflamação.

  • Tricoscopia digital com fotografia clínica padronizada
  • Análises: hemograma, ferritina, função tiroideia, vitamina D, zinco e, na mulher, perfil hormonal
  • Teste de tração para avaliar a fase ativa da queda
  • Biópsia do couro cabeludo apenas quando há suspeita de alopecia cicatricial

Alopecia na mulher: o que muda

Na mulher, a alopecia androgenética raramente causa zonas totalmente calvas: manifesta-se pelo alargamento progressivo da risca central e por uma perda de densidade difusa no topo da cabeça, mantendo a linha frontal. É frequentemente confundida com eflúvio telogénico, e as duas condições coexistem muitas vezes.

Períodos de maior vulnerabilidade são o pós-parto, a perimenopausa e a menopausa, além de situações de ovário poliquístico, disfunção tiroideia ou carência de ferro. Por isso, na mulher, a avaliação analítica é praticamente sempre parte do diagnóstico.

O que esperar do tratamento ao longo do tempo

O cabelo responde devagar porque o folículo tem um ciclo longo. Nos primeiros dois a três meses o objetivo é travar a queda; a densificação visível surge entre os 4 e os 8 meses e o resultado consolidado avalia-se aos 12 meses.

É comum haver um aumento transitório da queda nas primeiras semanas de alguns tratamentos — sinal de que folículos em repouso estão a ser sincronizados para uma nova fase de crescimento, não de agravamento.

Na Replace Clinic o plano tem um horizonte de 18 meses, com reavaliações fotográficas comparáveis em vez de impressões subjetivas.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre alopecia e calvície?
Calvície é o termo popular para a alopecia androgenética, o tipo mais comum. Alopecia é o termo médico genérico, que inclui dezenas de outras causas — areata, eflúvio telogénico, tração e alopecias cicatriciais.
A alopecia é hereditária?
A alopecia androgenética tem forte componente genética, herdada de ambos os progenitores. Outros tipos, como o eflúvio telogénico ou a alopecia de tração, não são hereditários.
Quanto tempo demora a ver resultados no tratamento da alopecia?
A queda costuma travar entre o segundo e o terceiro mês; a densificação visível surge entre os 4 e os 8 meses e o resultado final avalia-se aos 12 meses.
A alopecia tem cura?
Depende do tipo. O eflúvio telogénico e muitos casos de alopecia areata revertem. A alopecia androgenética não tem cura definitiva, mas é controlável com tratamento continuado e corrigível com transplante.
Como sei se a minha queda é normal?
Perder até 100 cabelos por dia é normal. Se nota o couro cabeludo mais visível, a risca mais larga, cabelo mais fino ao toque ou queda que dura mais de três meses, deve fazer avaliação.
Que médico trata a alopecia?
Um médico com formação em tricologia ou dermatologia capilar. Na Replace Clinic a avaliação é feita pela Dra. Fátima Garcês, com mais de 19 anos dedicados ao restauro capilar.
O stress pode causar alopecia?
Sim. O stress agudo ou prolongado é uma causa reconhecida de eflúvio telogénico e pode precipitar surtos de alopecia areata em pessoas predispostas.

Avaliação com a Dra. Fátima Garcês

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