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Guia clínico

Alopecia areata: causas, sintomas e tratamento

A alopecia areata é uma doença autoimune em que o sistema imunitário ataca os próprios folículos capilares, provocando placas de perda de cabelo bem delimitadas e de instalação rápida. Estima-se que cerca de 2% da população venha a ter pelo menos um episódio ao longo da vida e pode surgir em qualquer idade.

Pontos-chave

  • As placas costumam ser redondas, lisas e sem inflamação visível

  • O folículo não é destruído — o cabelo pode voltar a crescer

  • Quanto mais cedo se inicia o tratamento, melhor a resposta

Porque acontece

Na alopecia areata, linfócitos T reconhecem erradamente o folículo como estranho e desencadeiam uma reação inflamatória à sua volta, interrompendo o crescimento. O folículo entra em repouso mas mantém-se intacto — é isso que explica a possibilidade de recuperação espontânea.

Existe componente genético e associação a outras doenças autoimunes, nomeadamente da tiroide. Episódios de stress intenso, infeções ou alterações hormonais funcionam frequentemente como gatilho.

Como se manifesta

O quadro típico é o aparecimento súbito de uma ou mais placas circulares sem cabelo, no couro cabeludo ou na barba, sem dor nem descamação. Alguns pacientes notam formigueiro ou comichão nos dias anteriores.

  • Areata em placas — a forma mais comum, com uma ou poucas áreas afetadas
  • Areata total — perda de todo o cabelo do couro cabeludo
  • Areata universal — perda de todo o pelo corporal
  • Ophiasis — faixa de perda ao longo da nuca e das têmporas, de resposta mais lenta
  • Alterações nas unhas, sobretudo micropicotado, presentes numa parte significativa dos casos

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é clínico, apoiado em tricoscopia — a observação ampliada do couro cabeludo, que revela sinais característicos como pontos amarelos e cabelos em ponto de exclamação. Pedem-se análises para despistar doença tiroideia e défices associados.

O tratamento passa por corticoides tópicos ou infiltrados na placa, imunoterapia tópica nos casos extensos e, mais recentemente, inibidores JAK em situações graves acompanhadas em consulta de dermatologia. A mesoterapia e o PRP podem apoiar a fase de recuperação, melhorando o ambiente do folículo.

Prognóstico

Em placas únicas e recentes, a recuperação espontânea é frequente — grande parte destes casos volta a ter cabelo no primeiro ano, com ou sem tratamento. Formas extensas, de início na infância ou do tipo ophiasis têm evolução mais imprevisível e tendência a recidivar.

Como o folículo não é destruído, o transplante capilar não é indicado enquanto a doença está ativa — a prioridade é controlar a inflamação.

Perguntas frequentes

A alopecia areata tem cura definitiva?
Não existe cura definitiva garantida, porque a doença pode recidivar. No entanto, o cabelo volta frequentemente a crescer, de forma espontânea ou com tratamento, sobretudo em placas isoladas e recentes.
Quanto tempo demora o cabelo a voltar a crescer?
Com resposta ao tratamento, o crescimento inicia-se habitualmente entre as 6 e as 12 semanas. O cabelo novo pode nascer despigmentado e recuperar a cor com o tempo.
É contagiosa?
Não. É uma doença autoimune, sem qualquer transmissão entre pessoas.
Posso fazer transplante capilar com alopecia areata?
Não durante a fase ativa. O transplante só se pondera em casos estabilizados há longo tempo e após avaliação especializada.

Avaliação com a Dra. Fátima Garcês

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